TOMO I
•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentárioAGNUS DEI
- cheguei até aqui à revelia de deus. não pretendo voltar.
- cobra um preço, a felicidade?
- carrego em meu bolso hóstias que não aceitei. era tarde, minha mãe havia morrido e do meu pai sobraram arremedos. cresci só. cedo perdi meu único irmão.
- cobre-nos de silêncio, a esperança?
- contemplam-me os homens. buscam em mim respostas que aliviem a insignificância da vida quando trilhada ao avesso. demência. demência é o que revela a alma de cada um.
- abençoa-os então.
- escuta: devolvo aos que ficam o trigo. roubo-lhes a fome. aurora por chegar.
TOMO I
•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário
ANGELUS
é preciso inventar um dia de sol e de paz. rirão de mim, dizendo a lucidez escorrer pelos cantos da minha boca, e que a aflição dos meus órgãos, desastre, desagrego, rumará comigo até o fim. à porta, são vozes confusas e apressadas a paisagem que me esmiúça o desespero. ergo os fantasmas e sigo. sombras, destino. afã, amargura. há tormentos lacrados em meus olhos, horizonte a me espreitar. há um aporte ao que resta da minha dignidade. anjos ecoarão meu nome.



