TOMO I

•Outubro 15, 2008 • Deixe um comentário

hymn

 

 

girassóis adoecem em minhas entranhas, eu disse, enquanto dava-lhes as costas como se fosse possível esquecer quem são. míseros, como ousam julgar meus atos? sabem vocês a crueza das palavras a roer meu crânio? restos de esperança espumaram em minha boca, mas vocês aqui não estavam quando os chamei pelo nome. condeno-lhes a rastejar, então. porque há cores que escapam ao envelhecer e disso vocês não sabem. porque há desertos invioláveis sob meus pés e isso vocês não suportam.  porque na terceira  manhã pari-me imune à paz interior e por isso vocês padecem. devolvo aos que ficam as memórias. roubo-lhes a vigília. esmorece o céu. anjos venerarão meu nome.

TOMO I

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

AGNUS DEI

 

 

-         cheguei até aqui à revelia de deus. não pretendo voltar.

 

-         cobra um preço, a felicidade?

 

-         carrego em meu bolso hóstias que não aceitei. era tarde, minha mãe havia morrido e do meu pai sobraram arremedos. cresci só. cedo perdi meu único irmão.

 

-         cobre-nos de silêncio, a esperança?

 

-         contemplam-me os homens. buscam em mim respostas que aliviem a insignificância da vida quando trilhada ao avesso. demência. demência é o que revela a alma de cada um.

 

-         abençoa-os então.

 

- escuta: devolvo aos que ficam o trigo. roubo-lhes a fome. aurora por chegar.

TOMO I

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

 

ANGELUS

é preciso inventar um dia de sol e de paz. rirão de mim,  dizendo a lucidez escorrer pelos cantos da minha boca, e que a aflição dos meus órgãos, desastre, desagrego, rumará comigo até o fim. à porta, são vozes confusas e apressadas a paisagem que me esmiúça o desespero. ergo os fantasmas e sigo. sombras, destino. afã, amargura. há tormentos lacrados em meus olhos, horizonte a me espreitar. há um aporte ao que resta da minha dignidade. anjos ecoarão meu nome.